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Fernando Schüler discute Nietzsche e os sentidos da vida no Café Filosófico CPFL

Escrito por:

Assessoria de Imprensa   27/05/2019

Campinas, 28 de maio de 2019 - A pergunta sobre como viver sempre foi uma das grandes questões da filosofia, e é muito provável que seja uma questão sem resposta. É o que afirma o filósofo Fernando Schüler, curador do módulo de junho do Café Filosófico CPFL sobre “Sentidos da vida”.

A série tem início na sexta-feira, 07/06, às 19h, com um debate sobre “Sabedoria e felicidade”, que será conduzido pelo filósofo Eduardo Wolf.

Na sexta-feira da semana seguinte, 14/06, Schüler fala sobre “Nietzsche e os sentidos da vida”.
Os encontros serão transmitidos ao vivo pelas redes sociais do Instituto CPFL.
Confira abaixo o texto do curador sobre o módulo:

“Nietzsche tentou conquistar o coração de Lou Salomé, sem sucesso. Tempos depois, enquanto vagava solitário entre a Itália e os Alpes Suíços, ele recebeu uma carta do velho amigo Erwin Rohde com uma foto de seu filho recém-nascido. A reação de Nietzsche é um exercício de autopiedade. “Oh, amigo, que vida reclusa e sem sentido a minha. Tão só, tão sem filhos”. Não seria a primeira nem a última vez que Nietzsche reclamaria de sua vida solitária. 

Por alguma razão, o filósofo faz um aceno à imagem do homem feliz, confortável, rodeado pelos filhos, pequenos prazeres e de alguma estabilidade. Mas a imagem não cola. 

Nietzsche era um animal de outro tipo. Seu propósito era buscar sentido para a existência humana em um mundo no qual os velhos valores haviam derretido. Um mundo sem deus, na sua imagem mais conhecida, no qual não nos restava outra alternativa senão andar por conta própria. 

Vem daí seu fascínio pela ideia do além-do-homem, seu deboche talvez injusto ao “último homem”, o pequeno hedonista, o homem comum. Daí seu elogio a Schopenhauer, espécie de Napoleão que se pôs a pensar e a perguntar, ao invés de ir à guerra. Daí seu elogio da vida que se vive “perigosamente”, tomando um tipo de risco que ele mesmo havia assumido quando rompeu com a religião de seu pai, pastor, com a vida acadêmica, com o fascínio de Wagner. 

Um século depois, Luc Ferry, em seu Aprender a Viver, retoma a questão de Nietzsche, de um jeito muito diferente. Ele se dirige não ao filósofo, nem a si, ou à posteridade, mas ao homem comum. 
Seu mote: a boa vida como aquela disposta a assumir o risco da incerteza e vencer o medo da morte. 

Não da morte única e definitiva, mas daquilo que morre todos os dias, pelas nossas escolhas e não escolhas. Ele lembra a imagem do corvo, do poema de Edgar Alan Poe, a cada instante dizendo “nunca mais, nunca mais”; nos lembra do tempo que está passando, da vida e sua fragilidade e das consolações que podemos encontrar na filosofia. A filosofia como nossa chance de uma “salvação sem deus”. Quem sabe um autoelogio, daquele que pensa como um tipo de cura moderno. 

A pergunta sobre como viver sempre foi uma das grandes questões da filosofia, e é muito provável que seja uma questão sem resposta. Do herói nietzschiano ao homem suave e otimista, de Ferry, é possível que tudo não passe de uma questão de estilo. De um lado, o elogio da vida no deserto, a renúncia em troca de uma ideia incerta de grandeza; de outro, o ideal contemporâneo da leveza, do longo aprendizado, da combinação da vida reflexiva com o prazer e o cultivo do cotidiano. 

Ambos buscam responder à questão de Jordam Peterson: não a vida feliz, mas a vida com significado. Ou, como definiu Contardo Caligaris, a vida interessante.

Somos de um tempo em que vivemos mais, em um mundo pautado pela abundância. Cultivamos o corpo, nos aventuramos mundo afora e recusamos a velha cisão entre o trabalho o prazer. Há quem fale de uma civilização suavemente hedonista, há quem prefira um tom mais político, tratando da emergência dos valores pós-materiais ao debate público. 

A grande questão prossegue sem resposta, ou ao menos sem a grande e definitiva resposta. Mas as perguntas que a envolvem parecem mais atuais do que nunca”.

Tags:
    Instituto CPFL; cultura; CPFL Energia; Café Filosófico CPFL; Fernando Schüler; Sentidos da vida