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 Visão Externa

Se na década de 80 a usina eólica despontou como alternativa de produção de energia, foi vinte anos depois, na primeira década deste século, que essa fonte de energia se consolidou como uma alternativa energética em escala comercial. Contribuíram para que a geração eólica atingisse sua maturidade uma combinação de fatores econômicos, geopolíticos e ambientais, que proporcionaram competitividade a essa fonte de eletricidade.

Com os conflitos no Oriente Médio do pós-11 de setembro, com a Guerra do Iraque e as divergências entre palestinos e israelenses influindo diretamente sobre a produção de petróleo, os barris da commodity apresentaram, na década passada, grande volatilidade, com as cotações rondando picos históricos próximos de US$ 150 por barril. A alta contaminou os derivados utilizados como combustíveis na geração térmica e o gás natural, encarecendo de forma acentuada a energia gerada por essas fontes. Vale lembrar que a Europa e os Estados Unidos, assim como a China e outros países industrializados, são altamente dependentes do petróleo e de seus derivados. Além do preço, os conflitos criaram grande especulação sobre o risco de oferta desses combustíveis, trazendo grandes preocupações sobre a segurança do suprimento.

Também na década passada, as demandas que surgiram com a vigência do Protocolo de Kyoto, em 2005, que impôs aos países membros um calendário de redução progressiva de emissões, também favoreceram a geração eólica. Um estudo realizado pela EWEA, a associação europeia de geração eólica, calcula que no final de 2010 a energia eólica em todo o mundo tenha proporcionado 26% das reduções de emissões exigidas dos países industrializados no âmbito do Protocolo de Kyoto.

Em outra ponta, deu-se um elevado grau de desenvolvimento da tecnologia de geração eólica, de forma a proporcionar um melhor aproveitamento dos ventos e melhorar a conexão dos geradores com os sistemas elétricos, por exemplo. Houve também ganhos de escala e o desenvolvimento da tecnologia de geração, principalmente de aerogeradores. A combinação de todos esses fatores fez com que os custos da geração eólica apresentassem uma redução sensível. Diante da elevação do custo de fontes ligadas ao petróleo, a produção de eletricidade a partir dos ventos se transformou em uma alternativa economicamente viável.

A geração eólica tem apresentado significativo crescimento em diferentes pontos do mundo, sempre atendendo às necessidades de expansão da oferta dos países, mescladas às demandas crescentes relacionadas ao desenvolvimento sustentável. Segundo dados da WWEA, a associação mundial da energia eólica, cerca de 96 países ao redor do mundo já haviam se rendido aos benefícios da energia eólica em 2011. A capacidade instalada de geração, distribuída por parques eólicos instalados por todo o mundo, atingiu a marca de 237 mil MW em 2011, dos quais cerca de 40 mil MW foram acrescentados naquele ano. Neste ano também foi gerado um volume total de energia de 500 terawatt-hora (TWh) no ano, o equivalente a 3% da produção mundial de eletricidade.

Segundo os dados da associação, a Ásia foi o continente que contou com o maior número de novas instalações em 2011, respondendo por 53,7% do total de usinas que entraram em operação no ano. Foi seguida pela Europa (21,9%) e pela América do Norte (20,5%). A América Latina manteve uma participação de 2,9% do total de novos projetos, cabendo à Austrália/Oceania menos de 1%.

Na Europa, onde a indústria da geração eólica se encontra bastante madura, a expansão da capacidade de geração dos parques eólicos se deu à ordem média de 30% ao ano na década passada, até a eclosão da crise econômico-financeira que abalou o continente, em 2008. Apesar das dificuldades impostas à instalação de novos projetos e de financiamento de programas nacionais voltados a geração de energia de fontes renováveis, a geração eólica tem se mantido em crescimento no continente. Em 2011, foram agregados aos parques geradores eólicos europeus cerca de 10 mil MW de capacidade instalada, mantendo-se o ritmo de expansão observado nos anos anteriores, apesar dos efeitos da crise. Concorrendo diretamente no continente com as usinas nucleares, que ressurgiram recentemente como alternativa às térmicas a óleo combustível, carvão e gás natural, consideradas grandes emissoras de poluentes, as usinas eólicas responderam, no período entre 2009 e 2011, por uma capacidade instalada correspondente a 45 novas centrais nucleares.

A Alemanha havia se tornado grande patrocinadora da geração eólica, anos antes, com a ascensão do Partido Verde ao comando do país. Fazia parte da plataforma dos verdes a redução da dependência do país da geração nuclear, e sua substituição pelas usinas eólicas. O governo de Angela Merkel ratificou essa decisão, determinando o banimento da geração nuclear do país até 2022. Esse movimento transformou a Alemanha no maior parque gerador eólico europeu, com 29.060 MW em 2011. A Espanha veio logo atrás, também com uma política agressiva de fomento à geração a partir de fontes renováveis. O parque gerador espanhol somava 21.674 MW em 2011.

A EWEA prevê que a produção de energia a partir de usinas eólicas deverá mais que triplicar na Europa até 2020, tornando-se equivalente ao consumo total de todas as famílias da França, Alemanha, Polônia, Espanha e Reino Unido. A expectativa é a de que, considerando-se o mesmo horizonte, a geração eólica na Europa evite a emissão de 342 milhões de toneladas de CO², o que corresponde a 31% da meta de redução de 20% das emissões europeias.

A China despontou, na década passada, como um dos cenários mais férteis para o desenvolvimento da geração eólica. O governo chinês passou a considerar a energia eólica componente importante de uma estratégia destinada a prover o país de um mix de fontes energéticas mais balanceado em relação às necessidades do país. A China enfrenta o desafio constante de ampliar o seu parque gerador em sintonia com o ritmo acelerado de expansão de seu PIB, que se manteve em dois dígitos nos últimos anos. A China responde, graças ao gigantismo de sua economia, por 10% do consumo mundial de energia.

A China busca também reduzir o impacto ambiental da enorme dependência de combustíveis fósseis, principalmente o carvão (que respondeu por 71% da matriz elétrica do país em 2010) e o óleo combustível (18%). Com essa característica, o consumo de carvão na China supera em 40% a média mundial. O resultado é que a emissão de dióxido de enxofre causada pela queima do carvão é responsável por até 80% das emissões de poluentes do país. O dióxido de enxofre causa a chuva ácida, que atinge a várias regiões da China, deteriorando o meio ambiente e afetando a saúde da população.

Em resposta a essa situação, o governo chinês tem procurado ampliar a utilização de fontes renováveis na matriz energética, embora a participação do carvão tenha apresentado decréscimo de apenas 6 pontos percentuais entre 1990 e 2010. Em 2011, a China agregou ao seu parque eólico uma capacidade instalada de 17,6 mil MW. Foi, contudo, a primeira vez que a entrada em operação de novos projetos apresentou decréscimo. Em 2010, a China havia inaugurado usinas com uma capacidade instalada de 19 mil MW, respondendo, naquele ano, por mais de 50% da expansão mundial da geração eólica.

O mercado norte-americano, que em meados dos anos 2000 havia superado, em escala, a geração eólica da Alemanha, segue como uma das regiões com crescimento mais acelerado no uso dessa fonte. No plano internacional, a expansão de seu parque eólico foi superada somente pela China em 2011. A capacidade instalada das usinas eólicas norte-americanas apresentou um incremento de 16 % em 2011, para um total de 47 mil MW. Internamente, a geração eólica foi a segunda fonte que mais cresceu, ficando atrás somente da geração térmica com o uso do gás natural. O Texas desponta como o Estado norte-americano com maior capacidade instalada em usinas eólicas, somando cerca de 10,3 mil megawatts (MW). Em 2011, a energia eólica respondeu por 32% do crescimento da capacidade de geração de energia dos Estados Unidos, de acordo com dados do Departamento de Energia norte-americano. Mas esse nível está muito aquém do pico observado entre 2008 e 2009, quando os projetos eólicos responderam por 42% a 43% da capacidade nova de geração do parque gerador dos EUA.