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 Visão Externa

Durante a década de 70, os eventos conhecidos como choques do petróleo  (saiba mais), lançaram na estratosfera os preços do “ouro negro”, ameaçando a saúde financeira dos países consumidores, principalmente os mais desenvolvidos, provocando assim uma mudança profunda na forma como a energia era vista e utilizada pela sociedade. Até então, a abundância da oferta de petróleo – a base primária das matrizes energéticas dos países do Hemisfério Norte –, a custos relativamente baixos, não impunha limites ao consumo de energia, estimulando o desperdício. Após os choques do petróleo nos anos 70, determinados pelos países da Organização dos Produtores e Exportadores de Petróleo (OPEP), a busca pela eficiência energética passou a ser prioritária na agenda dos países consumidores.

Os governos dos países mais afetados passaram, então, dentro de uma estratégia mais ampla, que envolveu inclusive o desenvolvimento de fontes alternativas, a se voltar para o comportamento de consumo nas residências, escritórios e fábricas, para verificar o que poderia ser feito de forma a reduzir os enormes desperdícios, que resultavam em elevados gastos com o uso de energia. Nesse processo, a construção civil, principalmente os edifícios residenciais, ganharam destaque especial, com os especialistas debruçando-se sobre formas de reduzir o consumo de energia na vida cotidiana das famílias. 

Cálculos do governo norte-americano indicam que, ainda hoje, mesmo depois dos esforços visando a ampliação da consciência da população em relação à eficiência energética, o consumo de energia elétrica nos edifícios corresponde a cerca de 40% do total. Outra estatística também deixa evidente a importância deste segmento para o desenvolvimento sustentável: estima-se que mais de 50% dos resíduos sólidos gerados pela atividade humana tenham origem na construção. 

Em face do cenário de encarecimento da energia nos anos 70, deste então novos modelos e ferramentas de gestão de processos foram incorporados, promovendo alterações nos padrões adotadas pela arquitetura e pela construção civil com o objetivo de proporcionar diferentes formas de poupar energia. Essa visão se tornou mais abrangente, na medida que a agenda ambiental se intensificou a partir dos anos 90, principalmente após a realização da Conferência Rio, em 1992, que ficou conhecida em todo mundo como ECO-92. 

Uma nova visão da construção civil, considerando os diversos aspectos de uma obra relacionados com o desenvolvimento sustentável – incluindo o consumo de eletricidade - passou a ser conhecido como green building, ou construção sustentável. Envolve um conjunto enorme de padrões que buscam desde a redução do impacto ambiental da criação e deposição de resíduos, até a adoção de soluções arquitetônicas que permitam, por exemplo, um maior aproveitamento da luz solar – o que impacta o consumo de eletricidade.

Nessa evolução, têm sido consideradas as características principalmente de clima de cada região, de forma a proporcionar soluções diferenciadas, mas de maior eficiência, no que tange ao aproveitamento do meio-ambiente. Por conta disso, por exemplo, nos países de clima mais quente os edifícios com estruturas de metais e vidro, que proliferaram enormemente na década de 70, estão perdendo espaços, uma vez que funcionam como verdadeiras estufas – o que amplia o uso de aparelhos de ar condicionado para promover a climatização adequada, com grande impacto no consumo de eletricidade.

Em paralelo, a indústria de eletrodomésticos e equipamento contribuiu muito com o objetivo de melhorar a eficiência no consumo de energia principalmente nas residências. Desde os anos 70, os novos projetos de equipamentos que vão de geladeiras a aparelhos de ar-condicionado ganharam muito em eficiência, com uma redução muito grande na necessidade de energia para o seu funcionamento. Esse avanço se deu em parte por conta de iniciativas próprias da indústria, que encontrou na necessidade de um consumo mais racional de energia um nicho de mercado importante. Parte também das conquistas deve ser atribuída a programas de incentivo adotados por governos de diferentes países.

Para os especialistas, o conceito de greenbuilding deverá receber um upgrade nos próximos anos na medida em que um outro conceito deverá se expandir: o de smarts buildings, ou contruções inteligentes. A expectativa é a de que, em um futuro próximo, as residências sejam interligadas por um sistema capaz de fazer a gestão do uso de energia em conexão com a rede de distribuição das concessionárias de energia. Esses sistemas serão capazes de assegurar o máximo conforto aos moradores de um edifício ou de um conjunto de casas, mantendo o consumo de energia nos menores patamares possíveis.​